domingo, 13 de julho de 2014

Porto seguro


De repente você se sente cansada, querendo apenas parar o tempo para conseguir respirar. A mente não pára de girar e os pensamentos dão voltas e voltas. A noite os demônios saem do armário tentando apagar as luzes das estrelas. Toda a beleza que existe numa noite se torna pesadelos, deixando seu semblante desanimado e questionável á outros olhos. Tudo o que você deseja é apenas parar o tempo e conseguir se organizar, planejar a vida com mais calma.
Você pode ter milhões de amigos mas não pode contar com nenhum em momentos como esse, de solidão total. E vem o desejo de um abraço apertado, um olhar compreensível e um sorriso tranquilizador (tranquilizar a dor que só você entende). 
Você se vê mais só e mais necessitada de carinho, de um afago, alguém que seja o seu porto seguro. É preciso então aprender a não precisar de ninguém.

Ellen Pfeffer

sábado, 12 de julho de 2014

Bagagem


Lenços foram umedidos enxugando o líquido transparente e amargo que outrora se despediu do último olhar. Cartas foram escritas mas nunca entregues. Músicas que pareciam me conhecer melhor do que eu mesma. Meus cansados pés, que sempre voltavam ao mesmo destino, e depois desistiam de continuar, haviam montanhas demais e descidas enlouquecedoras. Eu quis me sentar e devagar observar o horizonte, enxergar muito mais longe do que eu supunha e ali descansei. Descansei meu coração e o sorriso forçado. O olhar ganhou um brilho diferente e minhas mãos encontraram no que se agarrar, eu não estava mais nesse abismo. Passei a sonhar e não imaginar. Sonhar com cores e cheiros, abraços e afagos. Sonhei tão bem que esqueci que estava sonhando.
Carrego os lenço amassado e manchado que outrora me consolava de forma silenciosa. Guardei-a na bagagem. Nela carrego pedras, muitas pedras. Pedras que machucaram meus pés cansados, foram donos dos meus tropeços. E as guardo com todo carinho. 
Nessa bagagem levo acima tudo a minha certeza de que cada pedra foi um aprendizado, que cada pedra me fez continuar.

Ellen Pfeffer

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Gaveta


Guardo no peito uma saudade, uma pensamento e um desejo. Na gaveta as lembranças em cores e texturas, empoeiradas no tempo e na dúvida. O que teria feito meu passado se outrora não dera certo? Mas cá estou, com as rugas da satisfação de que fiz o meu melhor, eu seguir em frente sem arriscar me lamentar pelas pegadas deixada na minha estrada da vida. Carreguei tudo o que podia na minha bagagem, trouxe comigo tudo o que valeu a pena viver. Olho no espelho o reflexo da minha certeza, a certeza de que fui feliz, aprendo tudo o que precisei para continuar meus passos para frente. E tudo o que ouço no silêncio desse momento são as batidas do meu coração e soluço de uma alegria estranha. 
Fecho a gaveta da lembrança novamente, ainda é tempo de continuar a minha caminhada enquando o coração ainda bate.

Ellen Pfeffer

Muitos adeus



A pior mala a se fazer é a do coração, quando a partida não é o que se quer, quando o choro é insuportável e quando a alma não sabe do que mais se lamenta. A pior lembrança de alguém é de quando ela parte, fechando a porta e todas as entradas da volta. E é  a pior fase quando você não sabe lidar com o adeus, com adeus a tudo o que lhe fez feliz um dia, ou achava que era feliz.
Mas a pior certeza que se tem depois de tantos adeus indigestos é descobrir que poderia ter feito melhor. Admitir secretamente que deixou a desejar em algumas coisas, ou muitas, é o mesmo que admitir que foi um fracasso total.
Mas a pior história de amor não é quando ela acaba, mas quando ela se torna uma obcessão, e o tempo pára e a mente esquece que a vida continua e é pra frente que se anda.

Ellen Pfeffer