segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Depois dos 30.



Andamos em tantos caminhos tortos, em alguns ficamos parados fazendo coleção de pedras, outros simplesmente saímos tropeçando se atirando em abismos desconhecidos.
Andamos com pés descalços, cansados de sapatos apertados e de chinelos largos demais. Precisamos de conforto, de segurança.
Andamos em águas rasas que aos poucos se tornaram turbulentas, frias, geladas ao ponto de causar medo, arrepios, certos caprichos não valem a pena.
Andamos em areias macias, brilhantes, que no vento das incertezas a fizeram movediças, precisamos escapar das suas armadilhas.
Andamos em chuvas calmas, outras agitadas, você se apega na esperança de um lugar coberto para abrigar todos os seus sonhos e anseios.
E andamos mais ainda em terras lisas, planas, seguras, onde nos agarramos na certeza de onde queremos chegar. 
É nessa terra que encontramos nossa indivualidade, nosso verdadeiro eu, uma complexa conexão com o que buscamos e onde encontramos.

Depois dos 30 você já sabe com o que fazer com as pedras, se levanta dos tropeços com a classe de que ainda está aprendendo e tem orgulho disso. Depois dos 30, você escolhe em que abismo quer se atirar, mesmo sabendo que pode ter o coração partido em mais tantos pedaços que ainda estão remendados.
Depois dos 30 você sabe qual calçado serve para sentir a segurança, a confiança.
Depois dos seus belos 30 anos aprende a nadar em vez de enfrentar a correnteza, com a leveza que se deve.
É com os 30 que você aprende a dançar junto com o vento na areia movediça.
Ah, e ainda com os 30 que descobrimos quem somos e quem queremos ser, escolhendo os verdadeiros amores a dedo, decidindo mais com a razão, e deixamos o coração mais seguro. 
Que as chuvas de promessas e sonhos quebrados nos fizeram mais fortes, mais sábios. 
Ah, meus belos 30 anos que me fizestes olhar para o espelho e ter a certeza de que vivi, chorei, sorri, gritei, busquei, perdi e também ganhei. Mas acima de tudo  me fez buscar mais a mim mesma, mais ainda os meus verdadeiros valores, e acima de tudo, não deixar que roubem minha essência, minha história e meus aprendizados. E depois dos 30 você começa a viver mais intensamente, porque descobre que a vida é verdadeiramente curta pra viver tudo o que deseja!

Viva os 30, 40, 50! Viva a você, a mim, a nós!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

De vista pro mar



"Portos e vinhos que a vida me reservou
E um traço de tristeza que você tatuou.."


Nessa solidão de vista pro mar que a Marina me ofereceu
Caio num cálice de vinho que você já esqueceu
Ah, cada gota guardada pra ti se vai a toa
Se vai junto com a Marina e suas paixões

Você me levou aos céus com seus sonhos gelados
Segui teus passos na areia, mas não te vistes
Segui as músicas que seu coração ouvistes
Mas nenhuma pista ficara como palpite

Essa lua que assiste meus tormentos
Reclamo com ela que meus créditos acabram
Meu whatssap me mantendo orgulhosa
Em cada gole de vinho e sem poder te dizer nada

Cadê a coragem? Ah, ele é meu ponto fraco, desgrama!
Queria eu estar passeando com ele de mãos dadas
Tomando chop nos botequins cariocas
Exalando poesia em cada verso nosso

Queria eu a desfilar na orla de Ipanema, 
E cá estou, na Tijuca esperando a sorte
De estar no lugar da Marina

Marina roubando minha paixão sem saber
E hoje ela me oferece solidão de vista pro mar
Porque eu sei que sou pequena demais pra ele
Porque sou amor demais que ele talvez nunca teve

Meu vinho amigo, mas a taça é inimiga
(Inimiga amarga)
Não me deixa de pé para que eu vás caminhar
Nessa areia que brilha, quero mais é encontra-lo
Comprimenta-lo e jurar ser um acaso

Mas meu mal está nesse cálice de vinho
Com a solidão que a Marina me ofereceu de vista pro mar
Ainda hei de mata-la com meus versos 
E tirar ele pra dançar 

De vista pro mar, vou continuar a beber
Porque amar tá complicado!


Ellen Pfeffer

segunda-feira, 9 de março de 2015

Luar


Lá está está ela, com seu brilho a me enamorar
Vem de tão longe, tantas voltas pra me avistar
Oh, lua, o que vistes em mim, nessa vasta imensidão
Tão frio, profundo, desconhecido em solidão

Não sei, ela sempre me responde.
E sempre volta com seu brilho
A me enamorar.

"Mar que me deságua, me banha
Me reflete como um espelho
Muitas estrelas encontrei
Mas ainda assim quero aquele
Que reflete o melhor de mim
Mesmo em noites escuras

"Vi em você, meu mar, minhas lágrimas
Que derramei em triste solidão
De gota em gota, se fez o meu coração
Coração fora de mim, do meu eu
Então vi em você o que já era meu

Minha lua amada, vindes de tão longe
Para encontrar pedacinhos teus
Que em mim estão e vindes busca-las
E agora são tão seus, cada pedacinho meus.

E nós dois seguimos apaixonados, sem nos tocar
Mas ela sempre volta e eu sempre a espero
Este é o simples de amar, sem pressa, sem medo.
Porque eu sei que ela sempre vai voltar.


Ellen Pfeffer

sexta-feira, 6 de março de 2015

Devagar



Tenho medo do amor
Daquele que me rouba 
Que entra no meu mundo
Com passos apressados.

Tenho medo do amor 


Que me encoraja do impossível
Que desperta ideias duvidosas
Daquele que me tira a calma

Pra que amar em excesso?
O passos largos tem seu preço
A vida vem devagar
Me ame sem pressa
Vamos nos amar!

Esse amor tão inteiro
Intenso e ligeiro
Não me assuste
Em tantos invernos

Dê seus passos gelados
Me aqueça num abraço
Me beije bem devagar
Que a noite vai demorar

Ah, tenho medo desse amor
Que me rouba
Me perco de mim
Já nem sei mais quem sou
Nem quem eu era antes de ti.

Já te disse, amor
Que amar dá medo
Não dá certeza do momento
Não dá certeza das suas mãos
Nas minhas amanhã.

Me ame devagar também.
O amor assim vai durar
Eternizar cada descoberta
Me ame, então.
Mas bem devargarinho.


segunda-feira, 2 de março de 2015

Mil estrelas


Na dança dos nossos corações,
Nesse embalo tão emocionante
Entre sorrisos incessantes
Só você e eu e eu e você

Quero nessa dança seguir seus compassos
Girar em voltar dos seus calorosos abraços
E me perder na música dos seus batimentos

Ah, amor, siga meu ritmo
Entre comigo
Me segure no ar
Me proteja

No embalo dessas emoções
Tão novas as sensações
Tão nossa, só nossa
Eu eternizo cada desejo 
Em você.

Ah, não pare!
Vamos rodopiar 
Voar como duas borboletas
Vamos nos amar

Sinto em cada giro
Nosso amor de ontem
Traçado nas mil estrelas 
Que já nos ligavam 
No nosso nascer

Não pare de dançar, amor,
Me leve com você
Sorria pra plateia
Sorria pra mim.

Ellen Pfeffer


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Misto


Escrito na neve algumas canções
Que eu escrevera na noite de outrora
Para quem sabe acalmar nossos corações
Que para se juntarem não veem a hora

Amor com um sentimento misto
É o meu e o seu
Amor que galopa no juízo
Me leva até o céu

Parecemos tão crianças
Com sorrisos infantis
Brincando de esconde-esconde
Sendo um pequeno aprendiz

Amor misto é o nosso
Que se assanha e se comporta
Digo, faço o que posso
A distância quem se importa?

Ah, meu anjo cruel
Por que pensas em me deixar
Estartes comigo desde o berço
Prometo dessa vez escutar

Me traga o meu amor misto
Cujo sentimento me aflora
Os desejos mais lindos
Com ele quero realizar

Amor misto, de papel, de neve
Escrever em cada vez 
Que eu pensar mais nele

Amor misto que mais bem me quer
O meu amor maior que mais bem querer
Do meu amor misto.

Ellen Pfeffer

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Letras cursivas


Deveras ter me escondido em minha concha
Deveras não ter saído das minhas palavras

O amor é o medo em letras cursivas
Escrita numa canção secreta 
Cantada em momentos de paixão
Cantada em momentos de solidão

Tão longe
E tão perto
E nossos corações 
batem no mesmo
ritmo...

O amor é o medo em letras cursivas
Onde os olhos podem ler
Mas não podem ver
Onde eles podem 
te fazer esquecer
Tudo o que já leu

Meu amor, traga um pouco do teu peito
Não quero ter medo
Não quero fugir outra vez
Me traga um pouco do seu colo
Quero apenas ser sua ao menos uma vez

O amor é o medo em letras cursivas
Que gravam uma canção
Em que cada voz calada, minha voz abafada
Meu ser escupido em um anjo cansado

Quero um pouco de paz 
Ficar encolhida em minha concha aquecida
Me traga um pouco da sua calma em tantas línguas
deixe um pouco das suas pegadas geladas

E meu andar não é de anjo
Nem tampouco de garota de Ipanema
Eu avisei, gosto de fugir
Gosto do conforto da minha concha.

Sim, eu avisei meu amor,
O amor é o medo em letras cursivas


Ellen Pfeffer

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Forasteiro


Nessa alma perdida, entre palavras não escritas
Cabe no peito tanto alvoroço?
Por que bate esse coração?
Por que sente falta daquilo que não se vê?

Cabe n'alma tantas dúvidas?
E a bagagem que carrego preciso esvazia-la
Estão cheias de sonhos perdidos
Cheias de almas vazias

Quero voar nos braços que me soltaram um dia
Buscar nos sorrisos daquele ser que sonho
Nele está a minha tão sonhada paz

Quero encontrar no vento as palavras secretas
Que na noite de outrora não me foram ditas
Por que tanto alvoroço nesse meu peito?
Por que dessas apressadas batidas?

Oh, Senhor, me diga...
Quem és esse forasteiro das trilhas confusas?
Quem és esse que me causa tanto espanto?
Quando penso nele com nesse estranho amor

Quem é, aquele que me viste numa tarde
Entre desenhos, papéis e lápis
Com os galhos cantando em árvores
E o revoar era lindo das aves

Ah, quando penso nele com amor
Tudo se acalma e se resolve
Tudo em mim se anima
E o amor e a alma encontram sua rima...


Quem é você forasteiro, que se perde na trilha desse coração?


Ellen Pfeffer